Exposições Permanentes

José Rodrigues:
Fragmentos Ilha dos Amores

A exposição individual “Fragmentos Ilha dos Amores”, de José Rodrigues, que se apresenta nas galerias do claustro principal do Convento da Orada, em Monsaraz, comemora e rememora os 30 anos em que esteve patente neste mesmo local, homenageando o artista.

Esta exposição baseia-se na lírica camoniana de “Os Lusíadas”, especificamente, nos seus Cantos IX e X (Ilha dos Amores), que imprime à narrativa dos Descobrimentos Portugueses o seu aspeto mítico e edénico.

Nos fragmentos “Ilha dos Amores” – o bom-porto de um paraíso alegórico onde ancoram, merecidamente, os marinheiros portugueses após mil tormentas passadas -, José Rodrigues revisita as figuras mitológicas que caracterizam parte da sua obra dos anos 80/90 do século XX. Nos desenhos, representa-as a pastel e grafites; nas esculturas, em bronze, cria formas dicotómicas onde o polimento contrasta com a patine e a aspereza com a delicadeza. A personagem bíblica de Salomé é eleita como símbolo de desejos e afetos.

Nesta exposição, a figura feminina, sensual e misteriosa, cuja simbologia se funde na imagem da ninfa, levanta o véu da dúvida: será Dinamene, a musa dos amores de Camões perdida em ilhas distantes, a Vénus da beleza ou Salomé, a sedutora e pérfida deidade de José Rodrigues?

 Um Camões esguio surge numa representação visual, que lembra o maneirismo do seu tempo. Vasco da Gama, almirante-herói, destaca-se na tela maior rodeado de nereidas; noutro desenho Tetis mostra-lhe, do alto da montanha, a Máquina do Mundo. Em ambas as figuras, José Rodrigues parece autorretratar-se. Os três protagonistas – Camões, Vasco da Gama e José Rodrigues – encontram-se num cenário utópico e epopeico, inspirado pelas musas de uma ilha distante dispersa nos nevoeiros do desejo.

Espiga Pinto: PERCURSOS E AFETOS DE UMA OBRA

As obras de José Manuel Espiga Pinto existentes na Fundação Convento da Orada, numa primeira fase, exibidas no Auditório Comendador Victor Martelo, foram reexpostas em nova sala, à qual se deu o nome de Auditório Mestre Espiga Pinto.
Inaugurado no âmbito da 10.ª Hansa Artística, o Auditório Mestre Espiga Pinto acolhe a exposição permanente “Espiga Pinto – Percursos e Afetos de uma Obra”. Esta mostra presta homenagem ao notável percurso artístico de Mestre Espiga Pinto celebrando não apenas a sua obra, mas também os laços de afeto e amizade que manteve com o Convento da Orada – lugar de refúgio e fonte de inspiração para o artista – e com o instituidor desta Fundação, Professor Arquiteto João Rosado Correia.
Da representação do trabalho agrícola no Alentejo, elegem-se as “Camponesas”, mulheres-coragem que abraçam os filhos e os feixes do trigo e se alinham em esculturas, telas e serigrafias, posicionando-se num enquadramento da paisagem alentejana que tão bem testemunham. Na sua jorna, os “Camponeses” e os seus cavalos – que puxam carros e transportam homens e haveres – sulcam a terra dura, dourada pelo sol.

O apreço de Espiga Pinto pelas formas geométricas e pela a utopia do cosmos, evidencia-se em esculturas como a “Pomba” ou nas fusões do figurativo com o geométrico, manifestadas na pintura “Cavalo Saltando a Secção de Ouro ao Nascer do Sol”. Ainda dentro desta abordagem, o desenho do pavimento, em calçada de pedra (calçada portuguesa), da Praça e Embaixada de Portugal em Brasília é exibido através de um painel de fotografias.
Mapas, moedas, medalhas e rótulos serigrafados integram, também, esta exposição que evidencia, num pórtico majestático encimado pela Roda da Vida, a “Memória” de uma Inez (de Castro) escultórica e escultural, rainha póstuma de um amor desfortunado, difunde a sua beleza mítica que eternamente se associará ao mais belo romance da História de Portugal.